Mosaicos em Conimbriga : 無料・フリー素材/写真
Mosaicos em Conimbriga / Américo Meira
| ライセンス | クリエイティブ・コモンズ 表示-改変禁止 2.1 |
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| 説明 | A posse do ontemSei que perdi tantas coisas que não poderia contá-las e que essas perdas são agora o céu que é meu. Sei que perdi o amarelo e o preto e penso nessas impossíveis cores. Como não pensam os que vêem. O meu pai morreu e está sempre a meu lado. Quando quero escandir verso de Swinburne, faço-o, dizem-me, com a voz dele. Só o que morreu é nosso, só é nosso o que perdemos. Ilíon passou, mas Ilíon perdura no hexágono que a chora. Israel aconteceu quando era uma antiga nostalgia. Todo o poema, com o tempo, é uma elegia. Nossas são as mulheres que nos deixaram, já não estamos sujeitos à véspera, que é angústia e aos alarmes e terrores da esperança. Não há outros paraísos que não sejam paraísos perdidos. O fio da fábulaO fio que a mão de Ariadne deixou na mão de Teseu (na outra estava a espada) para que este se aventurasse no labirinto e descobrisse o centro, o homem com cabeça de touro, ou, como pretende Dante, o touro com cabeça de homem, e o matasse e pudesse, já executada a proeza, dentrelaçar as teias de pedra e voltar para ela, para o seu amor. As coisas aconteceram assim. Teseu não podia saber que do outro lado do labirinto estava o outro labirinto, o do tempo, e que em algum lugar de antemão fixado estava Medeia.O fio perdeu-se, o labirinto perdeu-se também. Agora nem mesmo sabemos se nos rodeia um labirinto, um secreto cosmos ou um caos impoderável. O nosso mais grato dever é imaginar que há um labirinto e um fio. Nunca daremos com o fio; talvez o encontremos e o percamos num acto de fé, numa cadência, no sonho, nas palavras que se chamam filosofia ou na mera e simples felicidade.Jorge Luis Borges, Cnossos, 1984 |
| 撮影日 | 2010-01-31 17:51:48 |
| 撮影者 | Américo Meira , Portugal |
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